Meus trabalhos

quarta-feira, 31 de março de 2010

No meio da notícia há algo mais

Desde o dia 8 de fevereiro tenho levado várias discussões sobre a cultura das mídias e os “efeitos de poder sob a máscara do saber” ao 3º período de jornalismo, da Faculdade São Francisco de Barreiras.

Inicialmente trabalhamos o texto “Cultura das mídias”, do livro homônimo de Lúcia Santaella. A autora aborda o assunto pelo viés semiótico. Suas justificativas são consistentes (a simbologia comunicacional produz sentido), mas não estanques. Em seguida, a informação é colocada como elemento substancial para o processo comuncicativo.

Várias discussões são apresentadas: o resíduo informacional que escapa ao controle dos agentes envolvidos na comunicação; a falsa ideia de homogeneidade da massa; a rede entre as mídias; a provisoriedade do conteúdo das mídias em oposição à durabilidade das culturas; o formato e o tempo da notícia em cada veículo e o intercâmbio do meio; a linguagem e a interatividade da mídia.

Encerrado o estudo sobre o texto de Santaella, partimos para “O que quer dizer informar”, capítulo do livro “Discurso das Mídias”, de Patrick Charaudeau. Logo no início, o autor define informação e traça um gráfico sobre seu processo de transmissão. Problemas com relação à fonte, à instância midiática e ao receptor são apontados.

Como o discurso é o efeito de sentido entre os sujeitos, conforme definição de Pêcheux, Charaudeau se interroga sobre a mecânica da construção do sentido e a natureza do saber (saberes de conhecimento, saberes de crenças e as representações que constituem e organizam o real). O texto segue com definições sobre efeitos de verdade e valor de verdade e questiona: Por que informar?, Quem informa?, Com que provas?

Esses dois textos, indiscutivelmente, não dão conta de explicar por que as notícias são como são e os possíveis sentidos e efeitos produzidos por elas. Mas sinalizam para uma série fenômenos, causas e conseqüências embutidas na falsa transparência e evidência midiáticas.

Por isso, solicitei aos alunos um análise de uma notícia - quer seja de rádio, televisão, jornal impresso ou internet - a partir desses dispositivos teóricos estudados até então. Vai ser um ótimo exercício. O material deve ser entregue até o dia 15 de abril. Apresento o resultado depois.

terça-feira, 30 de março de 2010

Circulação, consumo e efeitos das notícias

Nas minhas incansáveis pesquisas para tentar compreender esse universo de comunicação, encontrei o texto "Construindo uma Teoria Multifactorial da Notícia como uma Teoria do Jornalismo", de Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa. Trata-se de uma rápida (mas não menos profunda) reflexão que se propõe a encontrar respostas para duas perguntas no mínimo provocantes:

• Por que é que as notícias são como são e por que é que temos as notícias que temos (circulação)?
• Quais os efeitos que as notícias geram?

Se há uma resposta estanque ou várias a cada uma das perguntas, não é o caso. O que importa é que nunca é demais se debruçar sobre aquilo que está além da materialidade linguística do jornalismo. Afinal, estamos sempre além daquilo que imaginamos e aquém daquilo que presumimos ser. Tenham uma boa leitura.

quinta-feira, 25 de março de 2010

10 anos do "Jornalistas da Web"

Site brasileiro especializado na cobertura do jornalismo digital completa uma década com um lançamento do e-book "Jornalistas da Web - Os primeiros 10 anos". Vale a pena conferir. Vale a pena refletir sobre o futuro do profissional jornalista diante dos constantes e acelerados desafios das novas tecnologias.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Quarentão

Acordei às 4h30 da manhã e... Não esperava. Eu juro. Na mesa, rodeado com bexigas marrons, um bolo de chocolate com oito velinhas. Não sei se esta quantidade, no meu caso, tem um significado especial. tampouco se as quatro cerejas e as duas rodelas de kiwi devem me fazer refletir sobre algo. E embora essas dúvidas queiram me levar para outros lugares, a data de nascimento na identidade me coloca no meu lugar. Lugar de quem inicia os quarenta.

Já devia suspeitar. Ontem, tive uma manifesta prova de que estava chagando lá. E os alunos do 3º semestre de Jornalismo e Publicidade e alguns professores disseram: "Você chegou, professor". Confesso que essas palavras não foram ditas assim. Foram ditas com abraços, com afetos e olhos curiosos de quem quer saber como é chegar aos quarenta.

Sinto, no parabéns, a mesma agitação de quem entra em uma cabine do túnel do tempo. Todos, em sua volta, entram em slow motion. Mas na sua cabeça tudo é muito rápido. Essas forças antagônicas parecem se chocar e provocar essa estranha aparência ababacada de quem está aniversariando. A gente só cai na real quando chegam os cumprimentos. Embora a real, de fato, seja a tal cabine. De onde nunca saímos...

Os homens são feitos de momentos como esses. De pessoas como essas. Vejo, nesse alunos companheiros, amigos e parceiros de inquietações profissionais e existenciais, aquilo que alimentava o motor de minha curiosidade nos tempos de graduação. A disposição para superar os desafios próprios de caminhadas em busca do saber. Aliás, saber não é lugar de conforto. Mas, fundamental. Não digo que devamos ter os cuidados que Fausto, de Goethe, não teve; tampouco que devamos ter o otimisto - talvez, conformista - de Cândido, de Voltaire; ou a paciência de Jó diante do jogo de provações entre Deus e o Diabo. Digo, apenas, que devemos caminhar e experimentar os saberes. Não há fórmulas, há necessidades. Assim chegamos aos quarenta, e passamos dele. Portanto, um recado: não sou eu que mereço parabéns, são vocês.

Às quatro da manhã, tudo ainda está muito escuro. Mal conseguimos divisar as coisas. Confesso que, ao chegar à porta da cozinha, fiquei intrigado ao ver suaves reflexos de luz em bolhas sobre a mesa: eram as bexigas. Anne teria esperado eu dormir para arrumar a mesa? Ou teria acordado um pouco antes das 4h30 para decorá-la? Bobagem, isso não importa. Mas o que importa? Certamente não é o fato de que estou terminando esta postagem. Afinal, acabei de chegar ao início. O início de algo que direi outra hora sobre assunto ainda não definido. Luiza acabou de acordar...

Fim dos jornais impressos?

O que O Estadão fez no último dia 14 é uma afronta aos que andam a profetizar o fim do jornal impresso. Não vi a reforma do impresso (aqui em Barreiras, no oeste baiano, poucos jornais circulam). A do site, empolga. Tenho dito: não sei se as novas tecnologias estão decretando o fim do jornal impresso, mas que têm suscitado profundas reflexões sobre o modelo atual, ah isto tem!

Seduzir o leitor sempre foi um desafio. De um tempo para cá esta sedução está exigindo maiores acrobacias. Quer sejam estilísticas ou de design. Ora, quando o jornal impresso publica, a televisão e o rádio já deram. A internet, com sua potencialidade interativa, já aprofundou. Mostrou infográficos animados, recuperou a história, convidou o leitor/internauta a se manifestar (e ele se manifestou).

Com esta iniciativa d'O Estadão, fica patente que a credibilidade continua sendo um trunfo para a sobrevivência do jornal. Reconhecer-se em um mundo em transformação, é acompanhá-lo. O ditado popular próprio de fim de ano vem a calhar: quem morre de véspera é peru.

Recomendo duas leituras sobre o assunto: uma do próprio Estadão e outra de Alberto Dines.

PS.: Vale a pena a leitura de mais dois textos: um de Pedro Doria e outro ainda do Estadão.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sobre a disciplina webjornalismo

Recentemente encontrei na internet o texto "Webjornalismo - Considerações gerais sobre jornalismo na web", do português João Messias Canavilhas (Universidade da Beira Interior). Trata-se de uma comunicação apresentada no I Congresso Ibérico de Comunicação, acontecido em Málaga, espanha, entre 7 e 9 de maio de 2001.

O texto não tem pretensões de promover uma discussão profunda sobre webjornalismo. Como o próprio título diz, são "considerações gerais", mas vale a pena ler. É uma boa introdução para o aluno que quer compreender como explorar as potencialidades desse novo meio.